
7h10 da manhã: o indesejável som do despertador interrompe o sono profundo. O primeiro desejo do dia é que aquele momento durasse, pelo menos, mais uns dez longos minutos.
Entre o vai-e-vem dos pontos de ônibus e estações de metrô, a vida começa. Eu seria hipócrita se dissesse que o caos da manhã é um tormento para mim. Gosto de reparar as pessoas, de perceber os detalhes, de ouvir as conversas e canções, de saborear a leitura alheia.
Amores que se despedem, encontros – esperados e principalmente inesperados –, o trânsito, o calor humano. Meu dia a dia tem gosto das peculiaridades paulistanas. Desejo no auge do meu stress largar tudo e morar praia. Correr ao nascer ou pôr do sol, viver tranquila. Mas não.
Entre os meus passos apressados e olhar perdido eu admiro. Olho para todos esses detalhes com carinho. No final, encosto a cabeça no travesseiro e me preparo para o amanhã. Entre suspiros aliviados de mais um dia, eu sorrio e tenho a certeza que existe beleza no cotidiano.
